Like she don’t care: Blondie em Glasgow
- Data : 19 de agosto de 2008 às 14:04
- Categoria(s) : Glasgow, Shows
- Autor : ViajanteConverse
Estava eu em Liverpool procurando shows no jornal e descobri que o Blondie (ou seria “a” Blondie) havia acabado de tocar lá na noite anterior a minha chegada. Corri para a Internet pra ver por onde a tour seguiria e para minha surpresa o próximo show seria em Glasgow, na Escócia. Sempre achei que devia ter algo mais além de monstros simpáticos naquela água dos lagos escoceses, pois diversas bandas que eu curto bastante beberam dela (ou seja, nasceram lá), como: Jesus & Mary Chain, Primal Scream, Mogwai e, mais recentemente, The Fratellis, Franz Ferdinand e Glasvegas. Agora, o show da (ou “do”) Blondie era a chance de ver ao vivo mais uma banda que tocou no lendário CBGB (além do Iggy que eu já tinha visto), conferir ao vivo a performance estonteante da Debbie Harry do (salto) alto dos seus 63 anos (shhh… não contem pra ninguém) e ainda ter uma desculpa para incluir Glasgow no roteiro da Rocktrip. \o/

Os jovens Iggy e Debbie na foto do Bob Gruen.
Mais tarde descobri que ver a (”o”) Blondie em Glasgow já estava escrito no destino. Sei que vocês não vão acreditar, mas vou contar mesmo assim. Entramos no site da Carling Academy, onde aconteceria o show, e somente restavam ingressos para platéia sentada. Compramos os assentos, confirmou-se a transação, e quando a página recarregou… SOLD OUT! O show estava lotado! Isto quer dizer que compramos os últimos ingressos disponíveis, no último momento possível. E não para por aí a “sorte”. A viagem seguiu por Manchester e nem me preocupei com as passagens para Glasgow, pois havia consultado os horários na Internet e vi que ainda haviam vários assentos no ônibus que deveríamos pegar para chegar a tempo para o show. A viagem de Manchester para Glasgow levaria 4 horas e meia, e o show estava marcado para as 19:30. Tranquilo, pensei, sair as 11:30. Mesmo que não desse tempo, haveria outro onibus uma hora depois. Só que a minha auto-confiança quase custou caro mais uma vez.
Chegamos na Manchester Coach Station direto do Haçienda meia hora antes da partida, somente para ver um segundo “SOLD OUT“, desta vez para o ônibus. E sem as passagens na mão… Tentei comprar para o próximo ônibus, e só então descobri que a viagem era mais longa (levaria 6 horas) e chegaria “em cima” do show. Nesse meio tempo o ônibus das 11:30 já estava com o motor ligado, e a esperança de ver a loira lá na Escócia estava indo embora junto com ele. A saída foi apelar para o jeitinho brasileiro, ou seja, fazer um teatro para o motorista, explicar da trip, do show, etc. Ele pediu para esperarmos num banco. Já havia perdido a esperança, vendo ele fazer chamadas no rádio, rabiscar um papel, e andar para lá e para cá, quando ele veio sorridente e falou “já entendi, voces queriam é viajar comigo né?!”. Pela simpatia e compreensão, o motorista com certeza não era de Manchester. Não sei como ele fez, mas arranjou os últimos assentos no ônibus, que ainda pararia para pegar mais gente pelo caminho.
Chegamos bem adiantados em Glasgow para ver o show da turnê “Parallel Lines”, que não é uma referência a antigos e conhecidos hábitos da cantora, mas uma comemoração de 30 anos do clássico disco homônimo (acima), que trouxe o (”a”) Blondie do underground para o mainstream em 1978. A fila estava gigante, dobrando a esquina do antigo teatro com capacidade para 2500 pessoas. Descobrimos que o assento na platéia não era nada mal, dava pra ver o show bem de perto e de frente. A banda sueca Kamera abriu pra eles e conseguiu manter a platéia completamente… parada (mas confiram o som dos caras mesmo assim).
Bastou a Debbie surgir no palco de óculos branco, salto stilleto e um figurino com linhas brancas que lembravam… (novamente, sem referências narcóticas) a clássica capa do disco e o fundo do palco, que a galera veio a loucura. A banda é muito boa ao vivo, e a mulher não pára um minuto: dança, pula, provoca, e ainda consegue colocar a perna por cima das costas. Sem falar que ela está cantando melhor do que nunca seu repertório que mistura hits como Hanging On The Telephone, One Way Or Another, Heart Of Glass, 11:59, Sunday Girl e Maria, com músicas novas e material da sua carreira solo. Eu já estava impressionado, pensando como a Debbie está incrível pros seus 50 e poucos anos, até que o roadie nos contou no final que ela já comemorou 63 primaveras… (shhh…)
No meio do show a ”tia” (que se acha menina) tentou tirar os sapatos com os pés e caiu sentada, quase rolando pelo chão. Levantou-se, nariz empinado, amaldiçoou o microfone e literalmente “desceu do salto”, jogando o par de sapatos na platéia. De longe, a Debbie continua a mesma “blondie” dos anos 70: elétrica, magnética, com seu look e atitude peculiares, e que movimentou o movimento (putz…) punk com misturas de disco, reggae, hip-hop e new wave. Já de perto, como conseguimos trocar uma idéia com ela no final do show…
…pude pelo menos sacar que ela continua com a mesma atitude, like she don’t care, de nariz empinado e tentando evitar a proximidade de loiras mais bonitas que ela.
Ponto alto do diálogo com a Debbie Harry em Glasgow:
P: “Debbie, viemos do Brasil pra te ver.”
R: “Legal…”
P: “Você tem muitos fãs lá no Brasil.”
R: “Eu sei…”
P: “Você deveria tocar lá…”
R: “Aham. Bem que eu queria.”
Não deu pra filmar o tombo da véia loira, mas confiram um pedacinho do show:
Fotos: divulgação, Pagh e Bob Gruen.
BONUS:
Alguém já viu uma Highland Cow? Esse bichinho que habita os pastos da Escócia certamente deve ter inspirado algumas cabeças por aí…







































