Um Viajante Converse percorrendo os principais shows e festivais do verão europeu e blogando diariamente sobre suas experiências para os fãs de rock e admiradores da Converse All Star no Brasil. Fique de olho no roteiro e sugira missões para o Viajante, você pode ganhar um Converse All Star totalmente na faixa!
De volta ao Brasil. Obrigado a todos que participaram acompanhando a Rocktrip. Fiquem ligados pois teremos novidades em breve!
10/09/2008
:: Converse Rocktrip ::
Acompanhe as aventuras do Viajante Converse percorrendo os principais shows e festivais do verão europeu e blogando diariamente sobre suas experiências para os fãs de rock e admiradores da Converse All Star no Brasil. Fique de olho no roteiro e sugira missões para o Viajante, você pode ganhar um tênis Converse All Star totalmente na faixa!
Este é meu último post. Mas pelo título vocês já sabem que ninguém precisa ficar triste com isso. Pelo contrário, pois vem muita novidade por aí, e este é um dos motivos pelo qual fiquei um bom tempo sem postar aqui depois que voltei. A Rocktrip foi tão legal (ok, vocês vão dizer “olha quem está falando”), mas tão legal, que ela inspirou a Converse All Star a lançar o primeiro blog oficial da marca aqui no Brasil! Pera, acho que me expressei mal, não é o primeiro “blog oficial no Brasil”, quero dizer que o primeiro blog oficial da marca “no mundo” está sendo lançado aqui no Brasil!
Eu estive envolvido durante este tempo no planejamento do Conversation, que é como o blog se chama, e do qual eu participo. O blog já está no ar, ele terá tudo que vocês viram aqui na Rocktrip e muito mais. Além de posts sobre música (coberturas de shows, festivais, trips, lançamentos, etc), moda, comportamento e cultura pop, o blog traz promoções exclusivas, e seções bem legais como o Vídeo Blá, onde o Lobão faz as perguntas e os visitantes podem conversar com ele. Não vou ficar falando mais do Conversation aqui, pois recomendo que vocês entrem e vejam por si mesmos! Tenho certeza de que vão curtir.
Bem, no final dessa trip (snif! mas vem outras por aí… \o/), quero muito agradecer pela companhia de vocês, e deixo uma lembrança abaixo, que muita pessoas já tinham escrito me pedindo: a lista das 70 bandas que assisti durante a Rocktrip!!! Diviram-se e fiquem com a gente! Abraços!
The time is gone, Rocktrip is over, thought I’d something more to say… Eu já finalizei minhas postagens sobre a trip, mas vou continuar postando enquanto o pessoal estiver pedindo mais (como a Alana e a Patrícia! Valeu pelos comentários!). Vou avisando que este é um post bem pessoal, mas peço licença para compartilhar a história com vocês.
Hoje um evento me deixou profundamente triste. Como diz respeito a uma banda que eu serei eternamente frustrado por não ter visto ao vivo, achei pertinente fazer uma homenagem aqui no blog. Faleceu em Londres, aos 65 anos de idade, Richard Wright (Rick, para os fãs, íntimos e familiares) tecladista do dinossauro extinto Pink Floyd.
Quando comecei a curtir música, de verdade, passei a me interessar pela história das bandas de rock clássicas e ouvir todos os discos de cabo a rabo. Uma de minhas primeiras paixões foi o Pink Floyd, que eu e minha prima (a quem eu sempre fui muito ligado) descobrimos juntos. Quase que ao mesmo tempo em que começamos a usar All Star, a gente passava horas ouvindo os discos, viajando nas letras, nas melodias espaciais (que pra nós eram etéreas), e entrava em toda a piração de sincronias, conspirações e mensagens subliminares do Pink Floyd. Eu me lembro que a gente assistia o Live at Pompeii em VHS e ela dizia que o Rick Wright era o mais bonito dos Floyd (não se preocupa, não vou falar teu nome pra não te comprometer Bina). Já o meu amigo foi mais sensato e disse que “morreu o melhor cabelo do Floyd”. Mas claro que esse cara era muito mais que isso.
Poucas bandas tem uma história tão fascinante e improvável como o Pink Floyd. Além da música, talvez seja isso que continue arrebatando uma legião de fãs tão diversificados. A primeira encarnação da banda inaugurou o Acid Rock no final dos anos 60. Os Floyd foram os pais da psicodelia britânica (influenciando inclusive os Beatles) e porque não dizer, foram os indies de sua época. OK, talvez estou forçando, mas vamos polemizar mesmo que a discussão é boa. A definição de indie está tão perdida e banalizada pra mim, que consigo colocá-los tranquilamente nessa categoria pela transgressão, e por emergirem do underground com aquelas luzes, arranjos estranhos, espaciais, e o modo de se vestir e se comportar (hihihi…) da “Swinging London”. O Floyd era o queridinho da cena underground londrina no final dos anos 60, atraindo gente como Paul McCartney para assistí-los no inferninho chamado UFO, onde eles tocavam. A banda foi ficando falada fora do círculo, gravou um single independente, acabou assinando contrato com uma grande gravadora e conquistou o mainstream. Quer mais indie que isso?
Eis que menos de um ano depois do sucesso, o frontman, guitarrista e compositor Syd “Crazy Diamond” Barret literalmente pira (a irmã dele jura que não foi pela quantidade de LSD que ele tomava) e é “saído” da banda no auge. Barret foi substituído pelo amigo de infância David Gilmour que, reza a lenda, o ensinou a tocar guitarra na escola em troca de lanches. Tudo muda para o Floyd, que move lentamente para um som mais lento (!) e progressivo, ficando cada vez mais viajandão. A banda chegou a compor umas trilhas de filmes bem bacanas (vide Obscured By Clouds, trilha do filme La Vallé) e fez uma mini-tour com o Royal Ballet de Roland Petit, tocando ao vivo enquanto o corpo de baile dançava… Confira um vídeo do ensaio abaixo:
Eles, os fãs, amamos (ops…) todas essas fases, mas os críticos dizem que o Floyd só se achou novamente no álbum Meddle (um lado inteiro do vinil tinha só uma música de 22 minutos chamada Echoes), que serviu como uma base para a obra prima da banda: The Dark Side of The Moon, de 1972. O famoso disco do prisma/pirâmide na capa, Dark Side Of The Moon trazia no conceito temas como a loucura e a alienação, tinha músicas que mudavam de tempo no meio (e voltavam), e uma justaposição de faixas nunca vista antes. É um dos poucos discos de rock que nos deixa a nítida certeza de estarmos ouvindo uma obra completa. O sucesso foi tão grande que o Floyd perdeu o estigma de undergrond, e saiu em turnês cada vez maiores e mais caras. Na foto abaixo, Rick Wright descansa de uma das seções do álbum na escadaria dos estúdios da Abbey Road (reparem na maçaneta onde pendurei o Converse All Star no fundo…).
The Dark Side of The Moon traz ainda o que é (sem dúvida) o melhor momento do Rick Wright como compositor, o improviso religioso/sexual/visceral “The Great Gig In The Sky”(o grande show no céu), que inspirou o título deste post. Só esta faixa sozinha é cercada de diversas lendas, como a história de que Claire Torry gravou sua participação nos vocais em um só take, dirigida em “tempo real” pela banda através do “aquário” do estúdio. E a mais inacreditável de todas: The Dark Side of The Oz, como é conhecida a suposta sincronia do disco com o fime Mágico de Oz.
Eu lembro quando me reuni num sábado com minha prima para esta matinê Floydiana. A gente apanhou pra conseguir soltar o play do CD em sincronia com o terceiro rugido do leão da MGM no início do filme. Não sei quem foi o maluco que saiu com essa idéia (devia estar no mesmo estado da banda quando gravou o disco), mas parecia dar certo… Pra poupar o trabalho (e o saco) de vocês o vídeo já está mixado aqui em baixo! \o/
Reparem no ritmo, no desespero, e em como a música muda bem na hora em que a Dorothy desmaia e começa a sonhar, sensacional! E como tudo culmina com ela abrindo a porta, bem em sincronia com a primeira moeda de Money! Uau! Putz… já estou soando como um daqueles fãs chatos que o Floyd gosta de ter, mas gostaria de saber de vocês se mais alguém percebe a sincronia…
Depois disso o Floyd ainda mandou discos incríveis, como o Wish You Were Here e Animals (a capa com o porco voador) nos anos 70, e após a ópera rock depressiva The Wall, sucumbiu à megalomania do baixista-que-se-achava-dono Roger Waters, que demitiu Rick Wright dos teclados (e gravou mais um disco meia-boca sem ele) antes de decretar por conta própria o fim da banda sem consultar os “outros”. Acontece que os outros não concordavam com isso, chamaram o Rick de volta, gravaram um disco (sofrível…) e saíram em turnê “sem avisar” o Waters.
O Pink Floyd “new age” foi perdendo os mullets mas ganhando batalhas judiciais contra Roger Waters. Ficou com o direito de usar o nome, mandou mais uns discos caretões (que renderam umas turnês bacanas, mas burocráticas) e sumiu do mapa em 1995. A banda voltou a se juntar com o antigo baixista (depois de 22 anos “brigados”) para o Live 8 em 2005. Minha prima estava em Londres e não conseguiu entrar, mas curtiu o som lá de fora do Hyde Park por mim, enquanto eu estava em casa acompanhando por streaming na web. Foi o último show da banda “completa”. Depois disso cheguei até a acreditar que o Syd Barret poderia voltar para cantar um último Arnold Layne no fim de um show pra levantar fundos para vítimas de esquizofrenia, ou algo assim. Mas o “diamante doido” faleceu pouco tempo depois de diabetes. É por isso que este post sobre o Rick é tão pessoal e fala tanto do Floyd. Hoje me dei conta que posso sepultar de vez também a esperança de ver o Floyd “ao vivo” algum dia. Será que a banda morreu de vez?
Recebi a notícia por SMS (torpedo!) de um amigo de Londres assim que a BBC divulgou no ar que o câncer tinha levado os teclados do Floyd pra sempre. Já fazia um tempo que eu não escutava a banda, mas a notícia me tomou de choque, trazendo à tona todas estas memórias que relatei acima. Como se tivesse sido avisado da morte de um ente querido, que fez parte de diversas passagens da nossa adolescência, a primeira reação que tive foi avisar minha prima. Depois de tantas lembranças do Floyd juntos agora compartilhamos mais esta que, infelizmente, nos deixa de luto.
Pra terminar o post bonitinho, confiram o vídeo de um dos últimos momentos de brilho do finado Rick Wright, quando o Gilmour o deixou cantar Arnold Layne:
Bônus: eu vi lá pela Europa os modelos da Converse inspirados em bandas históricas. O do Kurt Cobain a galera antenada já sabe que está pra pintar a qualquer momento por estas terras. Será que a Converse vai nos presentear com um modelo em homenagem ao Floyd? Fico imaginando como seria este tênis…
Bonus 2 (confissão): fiz este post todo de cabeça, sem pesquisar. Isso pode significar duas coisas: (1) não estou tão velho, e (2) assino o atestado de que sou realmente fã desta banda…
Já aqui, mas ainda por lá… Explico, já estou no Brasil, e após alguns dias pra colocar tudo em ordem, volto para postar as últimas missões que ficaram para trás e comentar sobre minha passagem por Amsterdam. Lá é assim, bicicleta por todos os lados, os caras pedalam, comem, seguram o guarda-chuva e carregam 2 cachorros, tudo ao mesmo tempo. Num primeiro dia em Amsterdam, é certo que você vai levar um “chega pra lá” de uma bike, mas logo se acostuma com o ‘blim blim’ delas pedindo pra sair da frente. Peguei meu mapa para dar início ao itinerário.. o nome das ruas é algo impronunciável. Um dos meus coffee shops preferidos, por exemplo, fica na Keisersgracht, esquina com Kijzelstraat!!! Mais difícil que lembrar estes nomes foi achar um telefone público desbloqueado para fazer ligações a cobrar, é quase um milagre…
Converse Century presente nas ruas de Amsterdam
Bom, Amsterdam é, e não é, sexo e drogas. Aquele lance de sexo livre nas praças não é bem assim, só pode fazer sexo em determinada praça, de noite, e detalhe… sem barulho! Nas Red Lights, as “meninas” ficam “embaladas”, cada uma na sua portinha, com a luz vermelha ao fundo, todas lindas simpáticas e “amorosas”, mas basta você tentar tirar uma foto para elas virarem Conga, A Mulher Gorila. É sabido que Amsterdam tem uma grande quantidade de dependentes de heroína, o que andou gerando inclusive problemas como freqüentes assaltos a turistas.
Desta forma, a estratégia do governo foi distribuir uma droga similar aos dependentes com a condição de que eles a participassem dos grupos de ajuda. A medida reduziu em 40% os usuários de heroína no país. Já a maconha é “tolerada”, como eles dizem, nos coffee shops, e só! Se for fumar na rua você tem que pedir licença para as pessoas em volta e pode levar uma multa de 40 euros. Mas com tantos coffee shops bacanas e psicodélicos por perto não vale a pena correr este risco. =) Um amigo me perguntou o que eu fui fazer em Amsterdam que não assisti nenhum show de Rock por lá. Pensei, pensei… quebrei a cabeça… e na realidade não me lembro!
Abaixo então, a as missões que eu cumpri em Amsterdam e também uma de London que havia ficado pra trás.
Missão: Converse Coffee Shop
Local: Amsterdam Sugerido por: César Augusto Silva Essa num poderia faltar, fotografar um converse em frente a alguma das clássicas coffee shops da capital holandesa.
Missão: Beconverse Local: Amsterdam Sugerido por:Raquel Predebon Sabe que em Amsterdam tem umas ruazinhas muito estreitas, tipo becos, que cabem pouco mais que uma pessoa e ligam ruas opostas pelo meio da quadra, algo que no Brasil nunca daria certo… Minha missão é fazer um Converse All Star dar uma banda por um destes becos holandeses.
Missão: Converse Bike Local: Amsterdam Sugerido por: Ana Fraga Amsterdam é repleta de bicicletas pelas ruas, quem passa por lá sempre comenta o fato da grd quantidade de bikes e tb o quanto elas são respeitadas no trânsito. Se o Viajante puder apenas registrar o encontro de um Converse com uma bike holandesa… mas claro q se rolar uma pedalada de all star pelas ruas de amsterdam nada mals
DE VOLTA A LONDRES
Já esta última missão de London, sugerida pelo Rafael Breier, eu havia cumprido a algum tempo atrás, mas não tinha conseguido postar ainda no Rocktrip pela correria em que eu me encontrava desde que voltei ao Brasil… O nome desta engenhoca é (era, a exibição encerrou no dia 15 de Junho de 2008… pena) Telectroscope, uma obra do artista britânico Paul St George. Vocês devem ter ouvido falar dele quando rolou na imprensa, o telescópio gigante que permitia enxergar através do oceano. A geringonça maluca fica mais cool ainda quando você descobre que ela foi imaginada pelo bisavô do cara! Isso mesmo, Alexander Stanhope St George tinha o sonho de poder ver New York sem sair de Londres. Ele montou um projeto, e tentou construir o Telectroscope no final do século 19, chegando até a iniciar as escavações do “túnel” por onde passariam as lentes. Morreu uma galera e o cara desistiu. O bisneto dele retomou o Teletroscope como uma instalação de arte, e usou duas câmeras HD e conexão de banda híper larga (se é que este termo existe) para transmitir as imagens em tempo real “através do oceano”.
Um lado dele fica na margem sul do Rio Tâmisa, em frente ao prédio da prefeitura e muito próximo à Tower Bridge onde já pendurei meu Converse e registrei pra vocês no blog. O outro lado do Telectroscope fica (ficava) no Brooklyn em New York, próximo à Brooklyn Bridge (que voces vão ver ao fundo). O bacana é interagir com as pessoas (e no meu caso também, com um cachorro, que vocês vão ver no vídeo) em tempo real do outro lado. Foi um pouco frustrante a falta de entusiasmo das galera de NYC comparado aos que estavam do meu lado em London. Mas aí me dei conta que em New York ainda eram 06:30 da manhã, enquanto em Londres eu já estava indo almoçar…
AND IN THE END…
Bom pessoal, parabéns a todos que tiveram missões cumpridas, e nossos agradecimentos a todos que enviaram missões e participaram junto comigo da Rocktrip lendo e comentando as minhas aventuras. Obrigado por terem acompanhado e acreditado no projeto, graças a todos vocês a Rocktrip foi um sucesso. E fiquem ligados pois a Converse All Star está preparando uma mega-novidade que deve ser lançada em breve! Vocês vão se surpreender…
Estava eu em Liverpool procurando shows no jornal e descobri que o Blondie (ou seria “a” Blondie) havia acabado de tocar lá na noite anterior a minha chegada. Corri para a Internet pra ver por onde a tour seguiria e para minha surpresa o próximo show seria em Glasgow, na Escócia. Sempre achei que devia ter algo mais além de monstros simpáticos naquela água dos lagos escoceses, pois diversas bandas que eu curto bastante beberam dela (ou seja, nasceram lá), como: Jesus & Mary Chain, Primal Scream, Mogwai e, mais recentemente, The Fratellis, Franz Ferdinand e Glasvegas. Agora, o show da (ou “do”) Blondie era a chance de ver ao vivo mais uma banda que tocou no lendário CBGB (além do Iggy que eu já tinha visto), conferir ao vivo a performance estonteante da Debbie Harry do (salto) alto dos seus 63 anos (shhh… não contem pra ninguém) e ainda ter uma desculpa para incluir Glasgow no roteiro da Rocktrip. \o/
Os jovens Iggy e Debbie na foto do Bob Gruen.
Mais tarde descobri que ver a (”o”) Blondie em Glasgow já estava escrito no destino. Sei que vocês não vão acreditar, mas vou contar mesmo assim. Entramos no site da Carling Academy, onde aconteceria o show, e somente restavam ingressos para platéia sentada. Compramos os assentos, confirmou-se a transação, e quando a página recarregou… SOLD OUT! O show estava lotado! Isto quer dizer que compramos os últimos ingressos disponíveis, no último momento possível. E não para por aí a “sorte”. A viagem seguiu por Manchester e nem me preocupei com as passagens para Glasgow, pois havia consultado os horários na Internet e vi que ainda haviam vários assentos no ônibus que deveríamos pegar para chegar a tempo para o show. A viagem de Manchester para Glasgow levaria 4 horas e meia, e o show estava marcado para as 19:30. Tranquilo, pensei, sair as 11:30. Mesmo que não desse tempo, haveria outro onibus uma hora depois. Só que a minha auto-confiança quase custou caro mais uma vez.
Chegamos na Manchester Coach Station direto do Haçienda meia hora antes da partida, somente para ver um segundo “SOLD OUT“, desta vez para o ônibus. E sem as passagens na mão… Tentei comprar para o próximo ônibus, e só então descobri que a viagem era mais longa (levaria 6 horas) e chegaria “em cima” do show. Nesse meio tempo o ônibus das 11:30 já estava com o motor ligado, e a esperança de ver a loira lá na Escócia estava indo embora junto com ele. A saída foi apelar para o jeitinho brasileiro, ou seja, fazer um teatro para o motorista, explicar da trip, do show, etc. Ele pediu para esperarmos num banco. Já havia perdido a esperança, vendo ele fazer chamadas no rádio, rabiscar um papel, e andar para lá e para cá, quando ele veio sorridente e falou “já entendi, voces queriam é viajar comigo né?!”. Pela simpatia e compreensão, o motorista com certeza não era de Manchester. Não sei como ele fez, mas arranjou os últimos assentos no ônibus, que ainda pararia para pegar mais gente pelo caminho.
Chegamos bem adiantados em Glasgow para ver o show da turnê “Parallel Lines”, que não é uma referência a antigos e conhecidos hábitos da cantora, mas uma comemoração de 30 anos do clássico disco homônimo (acima), que trouxe o (”a”) Blondie do underground para o mainstream em 1978. A fila estava gigante, dobrando a esquina do antigo teatro com capacidade para 2500 pessoas. Descobrimos que o assento na platéia não era nada mal, dava pra ver o show bem de perto e de frente. A banda sueca Kamera abriu pra eles e conseguiu manter a platéia completamente… parada (mas confiram o som dos caras mesmo assim).
Bastou a Debbie surgir no palco de óculos branco, salto stilleto e um figurino com linhas brancas que lembravam… (novamente, sem referências narcóticas) a clássica capa do disco e o fundo do palco, que a galera veio a loucura. A banda é muito boa ao vivo, e a mulher não pára um minuto: dança, pula, provoca, e ainda consegue colocar a perna por cima das costas. Sem falar que ela está cantando melhor do que nunca seu repertório que mistura hits como Hanging On The Telephone, One Way Or Another, Heart Of Glass, 11:59, Sunday Girl e Maria, com músicas novas e material da sua carreira solo. Eu já estava impressionado, pensando como a Debbie está incrível pros seus 50 e poucos anos, até que o roadie nos contou no final que ela já comemorou 63 primaveras… (shhh…)
No meio do show a ”tia” (que se acha menina) tentou tirar os sapatos com os pés e caiu sentada, quase rolando pelo chão. Levantou-se, nariz empinado, amaldiçoou o microfone e literalmente “desceu do salto”, jogando o par de sapatos na platéia. De longe, a Debbie continua a mesma “blondie” dos anos 70: elétrica, magnética, com seu look e atitude peculiares, e que movimentou o movimento (putz…) punk com misturas de disco, reggae, hip-hop e new wave. Já de perto, como conseguimos trocar uma idéia com ela no final do show…
…pude pelo menos sacar que ela continua com a mesma atitude, like she don’t care, de nariz empinado e tentando evitar a proximidade de loiras mais bonitas que ela.
Ponto alto do diálogo com a Debbie Harry em Glasgow:
P: “Debbie, viemos do Brasil pra te ver.” R: “Legal…” P: “Você tem muitos fãs lá no Brasil.” R: “Eu sei…” P: “Você deveria tocar lá…” R: “Aham. Bem que eu queria.”
Não deu pra filmar o tombo da véia loira, mas confiram um pedacinho do show:
Fotos: divulgação, Pagh e Bob Gruen.
BONUS:
Alguém já viu uma Highland Cow? Esse bichinho que habita os pastos da Escócia certamente deve ter inspirado algumas cabeças por aí…
Volto a falar sobre a missão que me proporcionou uma das experiências mais emocionantes em Liverpool. O João Ricardo Campos Gonçalves sugeriu que eu fizesse uma homenagem ao John Lennon depositando flores em frente a estátua de bronze encostada na parede, no lado oposto da entrada do Cavern Club. Parabéns ao João, que fatura um Converse All Star por proporcionar-me estas belas memórias que relato aqui.
Saí com minha peruca “mop-top” perguntando onde podia comprar (ou apanhar…) flores em Liverpool, e os caras da lojinha do Hard Day’s Night Hotel, que fica just around the corner na Mathew, me indicaram o caminho. Voltei com uma linda flor branca (esqueci o nome… sorry baby) e um bloquinho verde de espuma, desses que se usam em arranjos de “Ikebana”. A missão sugeria colocar a flor dentro do Converse, mas preferi ficar com o meu no pé, pra compor o figurino, e de quebra fiz uma homenagem a Yoko (got it?).
No bilhete deixei escrito “all you need” seguido de um coração e a URL deste blog. Quando estava parado tirando fotos ao lado do boneco, percebi a aproximação vagarosa e acanhada de uma cadeira de rodas eletrônica, pilotada por um senhor com um semblante visivelmente comovido. No término da “sessão”, eu o ouvi balbuciar algumas palavras e me aproximei para conversar. Logo de cara ele disparou: “você sabia que ele costumava ficar bem aí mesmo, encostado nessa parede?”. Um calafrio me subiu a espinha, vi que estava tendo a oportunidade de falar com alguém que realmente tinha vivido a Mathew Street antes de ela ser a “rua dos Beatles”.
Fiz a pergunta mais óbvia possível. Ele respondeu com toda a doçura Liverpudliana “claro, na minha juventude, os vi tocar aqui uma porção de vezes. Na verdade eu já os conhecia antes, da outra banda chamada The Quarrymen, quando eles tocavam ali (apontando com o queixo), no The Casbah”. Ou seja, ele assistiu a primeira encarnação dos Beatles, com John, Paul, George, e três outros caras que devem ter passado os últimos 40 e tantos anos batendo a testa na parede.
“Está vendo aquele tijolo ali?”, me perguntou o senhor mostrando a parede cravejada de baixo-relevos com nomes de todas as bandas que já passaram pelo Cavern. “The Merseysippi Jazz Band”, prosseguiu “me lembro quando o Cavern abriu, esta foi a primeira banda a tocar. O Cavern era para ser só mais um clube de Jazz, mas acabou transformando-se em outra coisa”. Na hora me dei conta, mais uma vez, da importancia do que tinha acontecido ali. Se o Cavern tivesse sido só mais um clube de jazz, a história da música e do rock talvez não seria a que conhecemos. Talvez eu não estaria escrevendo esse blog…
Sempre ouvi dizer que idosos sobrevivem graças as memórias. Prova disso é que a idade não impediu meu novo amigo Liverpudliano de encontrar um meio de “andar” por sua cidade, de sentir-se jovem revivendo diariamente momentos que alguns de nós dariam a vida para ter na lembrança. Antes de nos despedirmos ele sacou um pacotinho de dentro do bolso da cadeira de rodas e me presenteou com 3 fotos de Liverpool, que tirou nas suas “andanças” pela cidade. Para ficar na memória.
Fico pensando: o que será que motivou este homem a parar e falar comigo? Quando me viu “standing there” naquele figurino, ao lado do Lennon, que imagem sua mente senil deve ter revivido? Talvez, apenas sentiu-se aliviado, pois teve a certeza de que as memórias de Liverpool estariam vivas para sempre.
Eu nunca poderia entender completamente aquela chinfra do Liam Gallagher entrando no palco até passar por Manchester na Rock Trip. Quem acompanha o blog deve lembrar que assisti o Ian Brown (ex Stone Roses) no Isle of Wight. Pois bem, agora entendo perfeitamente porque ele é chamado de King Monkey (macaco rei). Uma das peculiaridades do povo nascido em Manchester, além da empáfia e da genialidade musical, é o andar desengonçado e espaçoso, conhecido como monkey style (ou monkey walk).
A missão enviada pela Eduarda Lima sugeria que eu fizesse um vídeo caminhando por Manchester, preferivelmente na frente do extinto Haçienda, com o tal andar de macaco, como fazem os “mancunians”. Calma, essa não é uma espécie de símio, trata-se apenas do adjetivo pátrio para designar quem nasce nesta simpática cidade. Topei o desafio e o resultado vocês conferem no vídeo abaixo.
Depois de voltar de Manchester ainda não consigo compor uma “Champagne Supernova”, mas continuo caminhando como um macaco. Enfim, parabéns para a Eduarda, que ganha um Converse All Star e uma cópia do meu vídeo pra treinar e aprender como se faz um Monkey Style decente (ih… pelo visto também continuo com a “humildade” de Manchester…).
Consegui cumprir uma missão na London Eye, enviada por dois leitores aqui do blog, o Raphael Ferreira Maia e o Rodolfo Castro Reis! Eles sugeriram que eu desse uma volta neste espetacular brinquedinho brinquedão de turista, acompanhado do nosso “pisante” mais amado. A gigante roda gigante (nada de Ruth Lemos-emos, foi intencional mesmo) fica no lado sul à margem do rio Tamisa, em frente ao Maritime Museum, na região de Westminster. Bem pertinho do Big Ben (parlamento) e da abadia de Westminster (Código Da Vinci, lembram?).
Também conhecida como Roda do Milênio, pois foi inaugurada pelo então primeiro ministro Tony Blair as 00:00 de 31 de Dezembro de 1999, a London Eye é considerada a atração turística paga mais visitada do mundo. As inicialmente salgadas 15 libras esterlinas que custam para “voar” (como eles se referem) no London Eye valem a vista inesquecível que se tem a 135 metros de altura desta cidade fascinante. Quem sofre de acrofobia (ou também claustro, ou agora, ou qualquer outra fobia) pode subir sossegado em uma das 32 cápsulas (nao contei… esta escrito lá pra poupar nosso tempo) que circulam na volta da gigante estrutura metálica. A roda se move devagarinho, nao há sensação de deslocamento, e você se sente muito seguro lá dentro. Tem até banquinho…
Eu sempre olhava a London Eye de baixo e, pela velocidade que ela gira (0,9 Km/h… Há! Também estava escrito…), pensava que o passeio deveria levar pelo menos uma hora. Eu ficava imaginando como seria se algum turista, avido por uma super experiência de imersão londrina, encarasse um “Full English Breakfast” (normalmente 3 tiras de bacon, dois ovos, meio tomate, cogumelos, tigelinha de feijão, hash brown e uma lingüiça inteira, tudo gordurosamente frito e servido com com paes torrados e pimenta), depois tomasse de sobremesa o sorvete que vendem na entrada do Eye, que já vem quase todo “tomado” pelo sol do verão bretão, sofresse uma indisposição lá em cima. E aí? Como se faz quando as janelas nao abrem e o banheiro mais próximo está a mais de 400 pés de altura… No meu caso, confesso, eu estava realmente preocupado com a ausência de um mictório pois tinha bebido alguns pints* em pubs pelo caminho**.
Idéias como estas tinham postergado meu “vôo” por pelo menos 3 vezes. Já não tenho muita vocação (paciência) pra ser turista, e a longa fila que se forma na frente da atração (tendo na cabeça, imaginem, o mesmo sol que “frita” o sorvete) também me deixava mais a fim de ir direto pro próximo pub do caminho me grudar no vidro de um pint gelado*. Porém, qualquer expectativa negativa que eu poderia ter foi deliciosamente frustrada.
A fila é tão organizada (como tudo na Inglaterra) que eu esperei menos de 10 minutos. O passeio, infelizmente, leva apenas 30 minutos e, estranhamente, passa devagar e rápido ao mesmo tempo. Explico: a engenhoca anda tão devagar que você não tem a sensação de estar se movendo. Quando vê, já está lá no topo. Tão devagar, que ela nem precisa parar pras pessoas entrarem nas cápsulas, tudo é feito em movimento. Tão devagar, mesmo, que antes disso ainda dá tempo de entrar uma tiazinha da limpeza, uma tiazinha detectora de bombas (será que existe essa profissão?) e outra tiazinha detectora de metais (??) para dar uma geral na cápsula antes dos turistas a invadirem aos magotes.
A sensação ao fim do passeio é de “eba, quero brincar de novo”! Parabéns ao Raphael e ao Rodolfo, que faturam um Converse All Star de presente cada um por terem tido a idéia que me proporcionou a mais incrível vista da cidade mais incrível do mundo.
* O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE: BEBA COM MODERAÇÃO!
**E NÃO DIRIJA DEPOIS!!
Recebi uma missão pra fazer algo que faço todos os dias*, ir a um pub tomar um pint de cerveja (ou chope). A maior dificuldade mesmo foi descobrir qual era o boteco, entre os milhares que existem em Londres. Procurei as ruas no meu mapa e encontrei o pub descrito pelo Ernesto Roos logo na saída da Bond Station em Mayfair, na esquina da Davies St. e South Molton Lane. Trata-se do Hog In The Pound.
Fui até o balcão, pedi o pint do tal chope preto, e não é que é uma delícia mesmo?
Entornei goela abaixo o líquido escuro, amargo e cremoso, que me lembrou um pouco a Guiness Stout. Não estava tão quente como quando o amigo Ernesto experimentou, o meu era levemente gelado, bem ao gosto dos bretões.
Ninguém entendeu nada no pub quando comecei a tirar as fotos: um cara entra aparentemente sóbrio e depois do primeiro gole ja começa a agir como um “pau d’agua” tirando fotos de um par de tênis em cima da mesa. Fiz menção de pendurar o Converse All Star na bomba, como foi sugerido inicialmente, mas o garçom me olhou tão feio que preferi desistir para garantir que pelo menos coneguiria terminar meu pint.
Desci as escadas para procurar o banheiro, e encontrei exatamente o ambiente descrito na missão: um poraozinho charmoso, escuro, e cheio de bebuns… as 16:00 da tarde!
Agradeço ao Ernesto pela idéia da missão, que foi um prazer de cumprir, e tem tudo a ver com a cultura desta cidade. A conta do chope eu mando junto com o par de Converse All Star que ele acaba de faturar.
A missão enviada pelo Everton Cidade sugeria que eu fosse até o lendário clube Hacienda em Manchester e fotografasse um par de Converse pendurado na maçaneta do prédio. Eu sabia que o prédio original, onde tocaram nomes como Oasis, New Order, The Smiths, Happy Mondays, James, Blur, OMD, Stone Roses, Echo & Bunnymen e até a Madonna, ja nao existia mais, mas nem imaginava que o que havia lá agora eram apartamentos de moradia.
Saí caminhando pelas ruas de Manchester e pedindo informações de como chegar até o Hacienda quando um dos transeuntes que eu parei se propôs para ir até lá comigo. Pela simpatia e presteza da figura (foto abaixo) nem acreditei que esse cara fosse de Manchester. E não era. Nasceu no País de Gales, mas mudou-se para Manchester em tempo de viver os anos loucos do clube. No caminho John me contou que o Hacienda foi construído em 82 e era mantido desde então pelo New Order, mas que apesar de o clube ter contribuído tanto para a cena ‘Madchester’, o surgimento das festas rave, etc, ele quase quebrou a banda e a gravadora Factory Records, pois não dava lucro nenhum.
Até hoje a marca Hacienda é propriedade do New Order, que demoliu o prédio em 2002 e construiu esses apartamentos com o mesmo nome. A loucura do Hacienda acabou em 1997 depois de mortes e prisões envolvendo drogas, mas se você quer ver o que rolou neste ícone da noite pirada de Manchester, confira o filme “24 Hour Party People” (no Brasil com o título “A Festa Nunca Termina”), rodado em 2001 antes da demolição do prédio original.
Parabéns ao Everton pela idéia que valeu um par de Converse All Star na faixa!